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Expocacau: crise na mão de obra e novas tecnologias marcam debates da feira

Expocacau: crise na mão de obra e novas tecnologias marcam debates da feira

A segunda edição da Expocacau, realizada em Ilhéus, sul da Bahia, ratifica a força estratégica do cacau no agronegócio brasileiro, mesmo diante de desafios significativos como a crise de preços e a escassez de mão de obra. Com cerca de sete mil visitantes de 11 países, o evento não apenas movimentou a cadeia produtiva, mas também reforçou a necessidade de inovação, gestão eficiente e visão de longo prazo para garantir a sustentabilidade e competitividade do setor.

Expocacau 2026: Um Panorama de Participação e Engajamento Internacional

A edição de 2026 da Expocacau contou com mais de 60 estandes e 75 empresas participantes, consolidando-se como um polo de negócios e conhecimento para o setor cacaueiro. A presença de cerca de sete mil visitantes, incluindo produtores rurais, profissionais da cadeia, estudantes, pesquisadores e acadêmicos de 11 países, demonstra a relevância global do evento e do cacau brasileiro no mercado internacional.

O destaque para o público majoritariamente formado por produtores evidencia a importância da feira como plataforma para troca direta entre quem produz e quem oferece soluções tecnológicas e comerciais. A participação da Globo Rural, com seu podcast itinerante, ampliou o alcance do evento, trazendo à tona vozes influentes como Miriam Federicci, bicampeã mundial na melhor amêndoa, e Yuri Feres, diretor da Rainforest Brasil. Esses conteúdos reforçam a inteligência de mercado e o protagonismo do produtor na cadeia.

O sinal para o mercado é claro: a Expocacau não é apenas uma feira, mas um hub de inovação e networking que fortalece a cadeia do cacau no Brasil e no mundo. A expectativa para os negócios gerados, ainda em apuração, aponta para uma movimentação econômica significativa, que pode impactar diretamente a alavancagem de investimentos e o fortalecimento da cadeia produtiva.

Desafios Estruturais: Mão de Obra, Relação com a Indústria e Gestão de Preços

O debate intenso sobre a crise na mão de obra na cacauicultura foi um dos pontos centrais da Expocacau 2026. A escassez de trabalhadores qualificados impacta diretamente a produtividade e a capacidade de adoção de tecnologias embarcadas. Na prática, isso significa que a cadeia precisa urgentemente investir em estratégias de capacitação, automação e atração de talentos para garantir a sustentabilidade operacional.

Outro ponto crítico discutido foi a relação entre indústria e produtor, especialmente em relação aos deságios aplicados no pagamento pelo cacau. Essa tensão afeta a rentabilidade do produtor e pode comprometer a confiança e o equilíbrio da cadeia. A gestão de risco financeiro e a negociação transparente são imperativos para evitar rupturas e garantir a saúde econômica do setor.

Além disso, fatores climáticos, como o fenômeno El Niño, e o manejo de doenças exigem uma resposta ágil e tecnológica. A oportunidade aqui está em integrar soluções de monitoramento climático e fitossanitário, usando dados e tecnologia para antecipar riscos e otimizar a produção.

Quem não enfrentar esses desafios estruturais estará fadado a perder competitividade. É hora de alinhar a cadeia em torno de soluções que promovam eficiência, sustentabilidade e valorização do produtor.

Visão Estratégica e Tecnológica: O Caminho para a Sustentabilidade e Crescimento

Pedro Ronca, diretor do CocoaAction, destacou que o cacau é uma commodity com ciclos de alta e baixa, mas a Expocacau está focada em estruturar um horizonte de longo prazo. Isso passa pela criação de cadeias robustas de insumos, máquinas e implementos que fomentem a demanda por tecnologia e investimento.

Na prática, isso significa que o produtor deve estar preparado para investir em inovação e tecnologia embarcada, criando um ciclo virtuoso de produtividade e qualidade. O mercado global do cacau exige cada vez mais sustentabilidade, rastreabilidade e eficiência, atributos que só serão alcançados com gestão estratégica e inteligência de mercado.

Apesar da queda nas cotações do cacau na Bolsa de Nova York no último ano, Ronca observa uma recuperação com patamares acima das médias históricas da última década. Esse dado reforça a importância de uma gestão de risco bem estruturada e da diversificação de estratégias para mitigar impactos de volatilidade.

A confirmação da terceira edição da Expocacau para 2027 sinaliza continuidade e compromisso com o desenvolvimento do setor. O produtor que entender essa dinâmica e se posicionar estrategicamente terá vantagem competitiva clara no mercado global.

O futuro do cacau brasileiro passa por inovação, sustentabilidade e uma cadeia integrada, onde tecnologia e gestão caminham lado a lado. A inação aqui não é uma opção para quem quer se manter relevante e lucrativo.

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