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CEO da Cargill defende dragagem de rios para manter transporte de grãos por hidrovias

CEO da Cargill defende dragagem de rios para manter transporte de grãos por hidrovias

A dragagem das hidrovias brasileiras, especialmente no contexto do rio Tapajós, emerge como um ponto crítico para a logística do agronegócio nacional. Paulo Sousa, CEO da Cargill Brasil, defende essa prática como essencial para garantir a navegabilidade e a competitividade do modal hidroviário, fundamental para o escoamento dos grãos do Centro-Oeste aos portos do Arco Norte. No entanto, a decisão do governo federal de barrar a dragagem em 2025 evidencia um conflito entre desenvolvimento econômico e questões ambientais e sociais, que impacta diretamente a eficiência da cadeia de suprimentos do setor.

O Papel Estratégico da Dragagem nas Hidrovias Brasileiras

A dragagem é uma prática consolidada em hidrovias globais, como o rio Mississippi nos Estados Unidos e o Danúbio na Europa, onde é fundamental para manter a profundidade necessária à navegação comercial. No Brasil, o modal hidroviário oferece uma vantagem competitiva significativa devido ao menor CAPEX em comparação a rodovias e ferrovias, o que pode reduzir custos logísticos e aumentar a eficiência do escoamento de commodities agrícolas. Paulo Sousa enfatiza que a dragagem deve ser realizada de forma ambientalmente correta, alinhando sustentabilidade e desenvolvimento econômico.

O sinal para o produtor e para os operadores logísticos é claro: a manutenção das hidrovias por meio da dragagem é um investimento estratégico para assegurar a continuidade e a competitividade do transporte hidroviário, sobretudo em um cenário de mudanças climáticas que podem agravar a redução dos níveis dos rios.

Impactos da Decisão Governamental e o Risco do Modal Alternativo

A decisão do governo federal de não realizar a dragagem do rio Tapajós em 2025, após avaliação técnica e diálogo com comunidades indígenas, gera um impacto direto na logística do agronegócio. Estima-se que até 5 milhões de toneladas de grãos deixem de ser transportadas pela hidrovia, elevando o custo do frete em até R$ 850 milhões devido ao deslocamento para o modal rodoviário, que é menos eficiente e mais custoso[1].

Na prática, isso significa uma pressão adicional sobre as rodovias, que já enfrentam desafios estruturais, e um aumento do risco operacional para o escoamento da safra. A alternativa de transporte por caminhões para o porto de Santarém, apesar de viável para algumas empresas como a Cargill, não é uma solução escalável para todo o setor, evidenciando uma vulnerabilidade logística que pode comprometer a competitividade brasileira no mercado global.

A pergunta que fica para os gestores do agronegócio é: sua operação está preparada para suportar o aumento dos custos e a menor eficiência logística decorrentes da restrição à dragagem?

Conflitos Sociais e Ambientais: O Desafio da Governança nas Hidrovias

O impasse envolvendo a dragagem no Tapajós não é apenas técnico, mas profundamente político e social. A ocupação de terminais por comunidades indígenas e os protestos contra intervenções na Bacia Amazônica refletem uma resistência legítima que deve ser considerada na formulação de políticas públicas. Paulo Sousa destaca que, apesar de a Cargill apoiar a dragagem ambientalmente correta, a violência e a invasão de propriedades não contribuem para o diálogo construtivo.

Além disso, o caso do Pedral do Lourenço, com disputas jurídicas e a presença de comunidades ribeirinhas, evidencia a complexidade de implementar obras de derrocamento necessárias para a navegabilidade. A ausência de uma política de Estado clara para as hidrovias brasileiras gera insegurança jurídica e operacional, prejudicando o desenvolvimento do modal.

O desafio para o setor é construir uma governança que concilie desenvolvimento econômico, respeito aos direitos das comunidades e preservação ambiental, transformando a dragagem em uma prática sustentável e socialmente aceita.

Perspectivas e Necessidade de Planejamento Integrado para o Futuro

O ministro dos Transportes, George Santoro, reconhece que o desenvolvimento das hidrovias brasileiras carece de organização e maturidade, comparado a outros modais como rodovias e ferrovias, que tiveram décadas para superar desafios. A contratação de estudos robustos é fundamental para desmistificar os impactos ambientais e fortalecer a base técnica para decisões futuras, como a dragagem do rio Paraguai sem prejudicar o Pantanal.

Para o agronegócio, a expectativa de que a Ferrogrão entre em obras nos próximos cinco anos e que haja avanços no Pedral do Lourenço são sinais positivos. Hidrovias operando com barcaças cheias aumentam a eficiência e reduzem custos logísticos, fortalecendo a competitividade do setor no mercado internacional.

O cenário futuro exige que líderes do agro e formuladores de políticas atuem com visão integrada, combinando tecnologia, sustentabilidade e diálogo social para garantir a resiliência da cadeia de suprimentos. Quem agir agora para consolidar uma política de Estado para as hidrovias estará à frente na corrida pela eficiência logística e pela expansão do market share global.

Conclusão: A Dragagem como Pilar da Competitividade do Agro Brasileiro

A dragagem das hidrovias não é um tema menor ou apenas técnico; é uma questão estratégica que impacta diretamente a capacidade do Brasil de escoar sua produção agrícola com eficiência e custo competitivo. O impasse atual revela fragilidades na governança e na integração das políticas públicas, que precisam ser superadas para garantir a sustentabilidade do modal hidroviário.

O agro brasileiro está diante de uma encruzilhada: manter ou ampliar sua vantagem competitiva passa necessariamente por garantir a navegabilidade das hidrovias, com dragagem ambientalmente responsável e diálogo com as comunidades locais. A inação não é uma opção, pois o custo da paralisação ou da migração forçada para modais menos eficientes pode comprometer a rentabilidade e a posição do Brasil no mercado global de commodities.

O futuro do agronegócio depende da capacidade de seus líderes em articular soluções que integrem logística, sustentabilidade e inovação. A dragagem, neste contexto, é mais que manutenção: é alavancagem para o crescimento sustentável do setor.

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